TaaS: uma mudança de mentalidade

por José Machado em 20/05/2021
Artigo de opinião de José Machado, Senior Manager da KCS iT. Publicado originalmente na Computerworld e disponível de em seguida.
Sempre que a Humanidade sofreu grandes privações e mudanças drásticas no seu modus vivendi conseguiu improvisar, adaptar-se e ultrapassar as dificuldades impostas. Acima de tudo aprendeu, evoluiu e mudou a sua forma de pensar. Também nas empresas a mentalidade e cultura se vão adaptando e progredindo, sendo influenciadas e moldadas por fatores externos.
Uma das coisas que a pandemia, e consequente confinamento, nos veio demonstrar foi que é possível trabalhar remotamente, de forma colaborativa e tão ou mais eficiente como a tradicional presença física no escritório. Para tal teve de haver mudanças culturais e de mentalidade: as chefias abdicaram do controlo presencial e passaram a confiar mais nos seus colaboradores, e estes tornaram-se mais disciplinados e assumiram o peso dessa responsabilidade. No final, todos ficaram a ganhar. As empresas reduziram custos operacionais, as chefias delegaram competências, focando-se mais no negócio e na gestão. Os colaboradores incrementaram os seus níveis de motivação, aumentando o seu empenho e produtividade muito devido à qualidade de vida que ganharam em não ter de enfrentar todos os dias horas intermináveis nas deslocações de casa ao escritório, e vice-versa.
Os primeiros meses não foram fáceis para ninguém, pois nem todos estávamos preparados para ter um escritório em casa, muito menos um “jardim infantil” na divisão ao lado. Ainda assim, improvisámos, adaptámos, e ultrapassámos todas as dificuldades. No mundo das empresas Tecnológicas, em especial nas áreas das TI, essa adaptação ao “home office” foi certamente mais fácil. pois muitos de nós já tínhamos essa flexibilidade. Para tantos outros serviu para quebrar aquela barreira psicológica de que é possível trabalhar à distância, e ainda assim, em estreita colaboração com o resto da equipa. Muitos estarão a pensar agora: se consigo trabalhar remotamente para uma empresa no mesmo país onde estou baseado, porque não hei de conseguir fazê-lo para outra que está do outro lado do globo? Também as empresas passaram a olhar de outra forma para a colaboração remota das suas equipas. Esta mudança de mentalidade proporcionou a abertura necessária à adoção da externalização de equipas de projetos de desenvolvimento como um serviço. É aqui que entra o Team as a Service (TaaS).
O serviço TaaS é muito mais do que externalizar algumas funções na equipa de forma a adquirir capacidade e conhecimento tal como o modelo Team Extension, vulgo Outsourcing. Trata-se de adquirir toda uma equipa multi-disciplinar de capacidade escalável e competências certificadas para desenvolver end-to-end um produto ou serviço de forma integrada com os processos de deployment estabelecidos na organização que contrata o serviço (cliente). As vantagens são claras: o cliente foca-se no negócio e nos requisitos do projeto, deixando a cargo da empresa prestadora do serviço (fornecedor) a seleção, recrutamento, treino e formação dos elementos da equipa, assim como a gestão operacional da equipa e a execução do mesmo. Consequentemente, a empresa cliente consegue libertar as suas equipas de desenvolvimento para projetos mais estratégicos e nucleares da organização e reduzir o time-to-market de um produto ou serviço, ao mesmo tempo que usufrui de equipas desenhadas à medida das exigências do seu negócio, que pode contratar rapidamente apenas para o tempo e propósito estritamente necessários. Este modelo serve tanto PME com departamentos IT sem dimensão de desenvolver produtos à medida, como grandes empresas com necessidades pontuais quer por aumento de capacidade, quer por falta de know-how interno para abraçar novas tecnologias.
O futuro do serviço TaaS On-shore será a sua internacionalização, Near ou Off-shore, fazendo com que as suas equipas sejam constituídas por elementos de países e continentes diferentes, por vezes com fusos horários bem distintos. Para tal, o sucesso do serviço TaaS internacional, passa por garantir um recrutamento global de qualidade, formação online certificada, ferramentas colaborativas na Cloud, metodologias de gestão e desenvolvimento ágeis, políticas de retenção de talento e, claro, adotar o conceito de salário global. Acima de tudo, em qualquer dos casos, a liderança, a comunicação, e uma boa gestão das equipas será fulcral para o sucesso deste serviço, a qual terá de ser assegurada por um elemento com perfil de Gestor de Projeto, Scrum Master, ou Team Leader. Este terá de possuir soft skills de excelência, pois será ponto de contacto privilegiado entre a equipa de projeto e o cliente que o mandatou. É o garante de que toda a “máquina” irá funcionar de forma contínua, eficiente, e eficaz por forma a que os objetivos do mesmo sejam atingidos dentro do acordado.
Esta é uma mudança, mais que necessária, de mentalidade. Veio abrir toda uma nova perspetiva sobre a forma como se vai passar a encarar a externalização de equipas de desenvolvimento de Software. Este será um serviço integrado na cultura e no ecossistema das áreas das TI das empresas.

 

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